quinta-feira, 16 de junho de 2011

Frei Angelino Caio Feitosa.


Frei Angelino Caio Feitosa, 80, nasceu em Porto da Folha (SE). Ingressou na Ordem dos Irmãos Menores, franciscanos em 7 de dezembro de 1945. Desde os primeiros anos de ordenado, vem dirigindo retiros para várias congregações e dioceses. A partir de 1994, os retiros se tornaram específicos de contemplação, incluindo treinamento prático. Frei Angelino é conhecido por ensinar “a oração que liberta a pessoa de si mesma, de todo peso da vida passada e abre para um futuro renovado”. Ele mesmo experimenta a vida contemplativa e sabe comunicar aos outros o que aprendeu. E mostra o caminho do silêncio e da contemplação nos encontros que realiza. Algumas palestras proferidas por ele foram gravadas por amigos, transcritas e submetidas à sua revisão, que autorizou a publicação em forma dos livros: “Ao Encontro de Você” e “Chão Necessário”. Na manhã do último sábado, 5, ele esteve em Icoaraci, para pregar durante um retiro sobre oração para a um grupo de leigos e religiosos, vindos de cinco dioceses, reunidos na casa Santa Rosa. Durante um breve intervalo, frei Angelino, concedeu entrevista exclusiva à repórter Vladiana Alves e falou, entre outras coisas, sobre a necessidade do homem encontrar a verdadeira oração. Para frei Angelino “a oração verdadeira deve ser aquela em que Deus é o sujeito para mim. Tem que ser mais de silêncio, de ausência de conceitos e mais de presença de si mesmo diante do Pai”, ensina. Ele destaca também a necessidade de se encontrar, em meio a tanta pressa do mundo moderno, um tempo para a reflexão e meditação pessoal. O eremita ensina a agir dando a nós mesmos silêncio e paz “como um presente”. “Pode-se começar encontrando, duas vezes por dia, um tempo de apenas vinte minutos, para ficar quieto, num cantinho mais oculto possível para não ser interrompido e se entregar ao Pai”, propõe.

Por que ser um eremita?
Não é ser eremita que é bom. É ser este companheiro contínuo desse Jesus Cristo, que veio para nós, e veio nos dar a sua alegria, para que a nossa alegria seja completa. Se há crise no mundo hoje é por causa da ausência de alegria verdadeira. Há muita satisfação, muita procura de prazer, mas pouca alegria. Nunca houve tanto suicídio no mundo como agora. Por isso procuro o lugar do silêncio, da ausência do barulho, e a presença grande dos sinais de Deus, como num canto do pássaro, no farfalhar das árvores. Meu chamado para a vida de eremita não foi fácil, pois a tradição deste recolhimento foi quebrada e foi vista com certa desconfiança de que, na verdade, procurava-se evitar o mundo, e não é isso. Na verdade é justamente estar no mundo com mais presença do que antes. Há 20 anos tenho a vida contemplativa de um eremita, mas a realização veio em 1991. A vida de eremita não se trata de coisas intelectuais, de filosofia, mas de sede de ser feliz. Sou uma pessoa, usando uma certa expressão, bem estudada. Mas senti que a realização não estava aí, na mente, mas em outro espaço mais holístico, mais inteiro e verdadeiro de todo o meu ser.

Qual a importância da oração na vida da pessoa e por que devemos orar?
Vivo a oração e procuro a espalhar por aí, pois esta comunhão contínua do mistério do amor, que é Deus, faz-me muito mais eu mesmo. Com a verdadeira oração nós vamos descobrindo quem somos na verdade. Pensamos que somos de um jeito, porque temos os padrões do mundo a seguir, que a família e a escola nos passam, mas vamos aos poucos descobrindo que nosso eu verdadeiro é outro. Gustav Jung (psiquiatra suíço 1875-1961) fala justamente deste eu-falso e do eu-verdadeiro, e deu uma contribuição muito boa para a compreensão disso na psicologia. Ele fala deste verdadeiro eu que é ignorado. E percebo que de um tempo para cá esta ignorância aumentou na sociedade, mais especificamente a partir dos anos 80 até hoje. E o estrago maior é sentido nos jovens, dado os meios fáceis de comunicação, que estão retirando as pessoas desse encontro com a dimensão mais profunda de si mesma. Portanto, a oração é importante, mas não deve ser assim: o sujeito, que sou eu, falando para Deus. A oração verdadeira deve ser aquela em que Deus é o sujeito para mim. Tem que ser mais de silêncio, de ausência de conceitos e mais de presença de si mesmo diante do Pai.

O senhor diria que o homem desaprendeu a orar, ou na verdade nunca aprendeu direito?
Digo que hoje o homem desaprendeu a essência da oração. Ficou muito em reflexões, em conceitos, fórmulas e afirmações para Deus, pedindo que Deus faça a nossa vontade, quando na verdade o caminho da felicidade é o inverso, que eu faça a vontade Dele.

O senhor acredita no poder da cura através da oração?
Sim. Mas não acredito na cura mágica. Eu fiquei curado de um mundo de mazelas. Tive na adolescência problemas no pulmão, fui internado num tempo que se morria muito por causa disso. Não morri e fiquei com algumas seqüelas, mas acabou-se. Então, posso dizer que acredito muito nesta cura que vem da parte de Deus. Mas da cura mágica tenho certo receio e interrogações, que claro que são facilitadas por energias psicológicas. Mas a verdadeira cura pela oração vem de Deus agindo em nós.

A sociedade pós-moderna vive tempos de pressa e inquietação. Como o homem moderno pode encontrar e manter tempo para a reflexão, oração, contemplação e silêncio?
O homem de hoje vai descobrindo que não é por aí, por estes meios de correria e pressa, que vai encontrar a verdadeira felicidade. Então, ele busca o sagrado e muitas vezes, infelizmente, não no cristianismo, mas no budismo e outras manifestações de religião, mas quando descobre que é na sua antiga religião com Jesus (cristinianismo), então é uma beleza.

E tudo isto está ao alcance de todos? Basta querer?
Eu diria que basta agir. Querer é muito pouco. É preciso agir dando a nós mesmos silêncio e paz como um presente. Pode-se começar encontrando, duas vezes por dia, um tempo de apenas vinte minutos, para ficar quieto, num cantinho mais oculto possível para não ser interrompido e se entregar ao Pai. Com o corpo e alma. Relaxar o corpo é importante. Há muitas meditações e relaxamento orientação, mas a nossa meditação cristã é baseada nesta entrega à ação divina em nós.

Por falar em meditação, que virou um modismo, com aulas de yoga e tudo mais, qual o perigo de tudo isso, uma vez que são práticas sem nenhuma espiritualidade?
As pessoas que têm atração por isso podem até fazer. Mas é preciso descobrir o lado cristão para ir bem mais depressa para o efeito real de encontro da verdadeira felicidade. Com as meditações e yogas o homem pode se sentir bem, e sentir que os benefícios são conseguidos pelo homem mesmo, pois só fato de se recolher já tem um efeito bom. Mas o homem corre o risco de ficar orgulhoso, e com a maneira cristã de contemplação você fica mais humilde, descobrindo as suas falhas, seus limites e amando os seus limites, sabendo que você é um ser humano que precisa melhorar.

O senhor é conhecido por ter criado a Oração da Libertação. Há muitos testemunhos de pessoas em relação a isso que afirmam que “frei Angelino ensina a oração que liberta a pessoa de si mesma, de todo peso da vida passada e abre para um futuro renovado”. Como conseguir esta libertação?
A libertação se dá dentro de você. Cada um se libera das amarras que o mundo colocou, das algemas. Você se liberta destas correntes, especialmente das que são colocadas pela televisão atualmente. É preciso dizer não a tudo isso.

Por que se diz que toda a atividade da Igreja precisa de oração?
Porque sem este espírito de oração, que não é a oração apenas de ‘blá-blá-blá, de eu falando a Deus, a ação da Igreja não acontece. Não há força para o trabalho das comunidades. Mas é preciso que a tônica da oração seja de eu ser marcado pela palavra de Deus, que não é uma palavra conceitual, mas sim reconhecendo que Jesus é palavra de Deus encarnada e que quer se encarnar na minha pessoa.

O senhor é também conhecido pelo incentivo à vida comunitária de partilha. Por que é tão difícil conquistar isso hoje, mesmo dentro da Igreja?
É justamente porque se dá muita força ao ego. Falso ego. E pouca atenção ao eu-verdadeiro. Ao ser oculto, ao ser profundo, que os índios souberam viver tão bem. Mas, hoje estão se espalhando pelo Brasil alguns exemplos de comunhão e partilha. Em Pernambuco, por exemplo, existem 40 grupos de partilha e oração. Isso é muito atraente, sobretudo para o laicato.

Com toda a sua experiência pregando retiros sobre oração em diversos locais do Brasil, como o senhor tem sentido a procura das pessoas por este tema? A oração tem sido buscada como uma necessidade urgente ou não?
Sim. Há muito interesse. Em Pernambuco conheci algumas pessoas que foram para a Índia, Japão e conheci uma mulher que passou três ano no Japão e veio consagrada monja. Ela voltou para cá e se encontrou novamente na sua religião cristã. Também conheço um casal que fundou uma casa de oração, a partir do budismo, e me chamou para pregar para mais de 60 pessoas. Então podemos perceber que as pessoas estão procurando mais a oração, que sem a oração a pessoa se perde.

É possível mudar as mazelas do mundo através do poder da oração?
Acho que sim. Mas sempre gosto que fique bem claro uma necessidade: “eu dou a Deus esta força e poder que Ele já colocou em mim, e que eu não posso esquecer de associar à força Dele”. Cada um de nós deve lembrar o que nos diz o Salmo 8: ‘Deus nos deu força e poder’. E, às vezes, nós estragamos esta força e poder para conseguir besteiras, satisfações pessoais como dinheiro e poder.

O senhor já publicou diversos livros como “Ao encontro de você” e “Chão necessário”. Há alguma publicação prevista para breve?
Os livros publicados, na verdade não são preparados por mim mesmo. Eu prego durante os retiros, algumas pessoas gravam e elaboram a publicação. Meu trabalho é simplesmente de ler e revisar. Os próximos livros serão publicações dos retiros que fiz em São Paulo, Recife. E um último trabalho, sem previsão de conclusão ainda, é de um jovem paulista que sempre me acompanha nos encontros de espiritualidade, anotando coisas dos meus retiros, e que está fazendo a organização para a publicação deste trabalho.

Porto da Folha


Porto da Folha tem pega de boi na caatinga. Município, famoso por suas autênticas vaquejadas, teve origem na Fazenda Curral do Buraco.

A região onde hoje é o município de Porto da Folha, a 190 quilômetros da capital, começou a ser conhecida no início do século XVII quando Tomé de Rocha Malheiros obteve uma sesmaria de dez léguas, partindo da Serra da Tabanga, ponto inicial do povoamento, até Jaciobá. Posteriormente, Gaspar da Cruz Porto Carreiro, Pedro de Figueiredo e Domingos da Cruz Porto Carreiro vieram substituir Rocha Malheiros na tentativa de colonização da zona, obtendo a sesmaria concedida por carta datada de 30 de agosto de 1625.

De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, em 1682, Gerônimo da Costa Taborda fundou um sítio no velho Povoado Ilha do Ouro, e se estabeleceu com lavouras e criação de gado. Mas não prosperou por causa dos constantes saques que teriam sido promovidos por negros fugidos de mocambos.

Em novembro de 1807, o fidalgo Antônio Gomes Ferrão de Castelo Branco registrou seus títulos imobiliários na Câmara de Propriá, declarando ser de 30 léguas a extensão de suas terras, latifúndio que constituiu o morgado de Porto da Folha.


Fazenda Curral do Buraco



Porém, quem colonizou as terras de Porto da Folha foi Tomás de Bermudes, fundando um curral e fazendo amizade com os índios. “A fazenda Curral do Buraco originou a povoação do Buraco, que em 19 de fevereiro de 1841 passou a se chamar Nossa Senhora da Conceição de Porto da Folha”, informa a Enciclopédia. Até hoje quem nasce em Porto da Folha é conhecido por buraqueiro. Os moradores mais antigos acreditam que o nome Buraco surgiu porque a cidade é cercada de morros, dando a impressão de que fica em uma baixada.

Em 23 de março de 1870, a resolução número 841 transfere a sede da freguesia de Nossa Senhora de Porto da Folha para o povoado vizinho Boa Vista, mudando seu nome para Vila de Nossa Senhora da Conceição da Ilha do Ouro. E não parou por aí a série de mudanças. Em 28 de abril de 1870, a sede da vila voltou a ser Porto da Folha.

Essas modificações prejudicaram o município, principalmente porque a vila sede da cidade era distante oito quilômetros do porto mais próximo, situado na Ilha do Ouro, cuja ligação era feita por um caminho íngreme. Mesmo depois da construção da estrada, a situação não mudou muito porque ela era muito precária. O principal meio de transporte deixou de ser fluvial e passou a ser o rodoviário, mas o sonho da população é ter uma estrada em boas condições, para que o acesso à Ilha do Ouro seja facilitado e o turismo possa ser desenvolvido.


Porto da Folha foi elevado à categoria de município em 11 de fevereiro de 1896, através da Lei nº 194. Pela Lei Estadual nº 554, de 6 de fevereiro de 1954, Porto da Folha perde 64% de sua área para a criação dos municípios de Curituba (Canindé do São Francisco) e Poço Redondo. Hoje o município tem nove povoados: Lagoa da Volta, Lagoa do Rancho, Lagoa Redonda, Linda França, Niterói, Mocambo, Umbuzeiro do Matuto, Ilha de São Pedro e Ilha do Ouro.


A tradição da pega de boi na caatinga

A festa do vaqueiro de Porto da Folha foi criada em 1969. De acordo com um dos criadores do evento, o aposentado Antônio Alves de Farias, conhecido como Tonho de Chico, 68 anos, a pega de boi no meio da caatinga era o esporte do vaqueiro nas horas de folga.

Tonho de Chico, que trabalhava como vaqueiro, já participou de muitas competições com os colegas na mata, até que em 1969 o frei Angelino deu a idéia de que eles fizessem uma festa todos os anos. Eles criaram a Sociedade Recreativa Parque Nilo dos Santos, com uma diretoria de cinco pessoas, e Tonho de Chico foi eleito secretário. O primeiro presidente foi Antônio Pereira Feitosa, que logo depois foi eleito prefeito da cidade. Tonho também foi presidente da associação em dois mandatos.

Na primeira festa só compareceram poucos vaqueiros, os das redondezas. “A gente só soltou três bois no campo, ainda era uma festa pequena, mas ficamos muito satisfeitos”, lembra Tonho de Chico. Em 1970, por causa da grande seca, os vaqueiros não realizaram a festa, mas a partir de 1971 ela passou a acontecer todos os anos, sempre em setembro, “porque não é inverno e o campo ainda está verde”, explica Tonho.

“A gente começou a chamar os prefeitos e vaqueiros das cidades vizinhas e a festa cresceu. A cada ano mais gado era solto no campo para os vaqueiros pegar. Os que conseguiam eram aplaudidos na cidade, desfilavam com o boi todo enfeitado e ganhavam troféus”, lembra Tonho.

Hoje em dia as proporções da festa são muito maiores, pessoas de várias cidades de Sergipe e de fora do Estado vão à vaquejada, e são soltos na caatinga mais de cem bois. Tonho aponta mais uma diferença: “Os vaqueiros de hoje desfilam na cidade com a cara limpinha, na minha época era um prazer para a gente cavalgar pelas ruas com o rosto cortado pelo mato, mostrando nossa bravura”.

Comunidades negra e indígena

Uma curiosidade em Porto da Folha é que o município tem uma comunidade de negros remanescente de Quilombo e uma de índios Xocós.

O povoado Mocambo, às margens do Rio São Francisco, foi reconhecido oficialmente como remanescente de Quilombo pela Fundação Cultural Palmares, em 1997. A titulação de posse dos 2.100 hectares aconteceu em 2000, mas o processo de desapropriação dessas terras não está finalizado. Dois anos depois, as cem famílias do local sofrem muito por problemas fundiários e também com invasores que querem criar gado junto com as plantações da comunidade.

Atualmente, a população miscigenou-se muito, principalmente com índios, mas ainda tenta preservar as expressões da cultura negra como o trabalho coletivo, o samba de coco, dançado no dia da padroeira Santa Cruz e no dia da Consciência Negra, o uso de ervas medicinais, etc.

Índios Xocós


Já a Ilha de São Pedro preserva parcialmente as características do povo indígena. Quando os portugueses chegaram à foz do Opará, em 4 de outubro de 1501, existiam diversas tribos indígenas ocupando o vale do Rio São Francisco. Entre elas se encontravam os Xocós.

De acordo com a Enciclopédia dos Municípios, no final do século XVIII, fundaram nas terras do chefe indígena Pindaíba a Missão de São Pedro de Porto da Folha, sediada na Ilha de São Pedro, onde viviam 300 índios, que para sobreviver caçavam, pescavam e tinham uma pequena lavoura de mandioca. A comunidade foi entregue a sacerdotes capuchinhos e jesuítas. Atualmente, as 54 famílias que habitam a Ilha de São Pedro são índios Xocós.

A imposição do catolicismo e dos costumes europeus destruíram grande parte da cultura indígena. É tanto que os Xocós do local são católicos e o padroeiro do povoado é São Pedro, mas toda vez que tem missa, eles dançam Toré, um ritual sagrado realizado em um terreiro afastado da aldeia com dança, indumentária típica e bebida de jurema. A comunidade recebe também muitas influências externas, especialmente através de televisores e telefones públicos.

Ilha do Ouro tem grande potencial turístico

O belo e antigo povoado Ilha do Ouro é um verdadeiro oásis em pleno sertão. Localizado às margens do Rio São Francisco, tem um bom restaurante e bares que servem peixes como surubim e dourado, além de pitu e camarão.

O visitante que vai a Ilha do Ouro pode tomar banho de rio; conhecer a caibeira, uma árvore de mais de 300 anos na beira do Velho Chico, preservada pelos moradores do povoado; e apreciar a vista do Povoado Barra do Ipanema e o Morro da Ilha dos Prazeres, do lado alagoano.

O Povoado, que antes era chamado de Bela Vista nem é uma ilha e nem tem ouro. Segundo os moradores mais antigos, o nome surgiu por causa do cultivo de arroz, já que no período da colheita brotavam pendões amarelos, que parecem ouro.

As principais festas que acontecem na Ilha do Ouro são a de Bom Jesus, todos os anos, na segunda semana de janeiro, e o Carnaval.

A vida no rio


Os moradores da Ilha do Ouro reclamam da diminuição de peixes no São Francisco. O aposentado Manoel Alexandre Filho, 81 anos, que trabalhou como canoeiro e fabricante de canoas, diz que antes havia uma grandeza de peixes. “O pessoal fazia uma boa safra naquela época”, lembra ele.

Antônio Gomes Feitosa, de 91 anos, também trabalhou como canoeiro e sente falta do tempo da fartura de peixes e arroz. “Antes aqui tinha muito arroz e peixe. As mulheres trabalhavam toda a madrugada para tratar o peixe. Hoje até caça não tem mais, porque não tem mato”, lamenta ele.

Antônio lembra também que a ida de barco para Propriá não era demorada por causa da correnteza, mas a volta dependia do vento. “Se ele estivesse favorável, chegávamos logo, caso contrário, a viagem demorava até cinco dias. E foi isso que aconteceu no dia do meu casamento. Todo mundo foi à igreja, mas eu só cheguei três dias depois”, lembra Antônio.

Filhos ilustres do município

Seixas Dórea - ex-governador de Sergipe
Coronel Hermeto Feitosa - combatente na Revolução de 1932, comandou a Polícia Militar de Sergipe, foi deputado estadual por duas legislaturas e presidiu a Assembléia Legislativa
Aroaldo Santana - dono do cartório, ex-prefeito da cidade e ex-deputado estadual
Antônio Dantas - advogado, professor e ex-diretor de vários colégios da rede estadual
Edson Ulices - advogado e ex-presidente da OAB-SE
João José dos Anjos - ex-comandante da Polícia Militar
Francisco Cardoso - o ‘buraqueiro’ mais velho da atualidade, hoje com 103 anos. Foi agricultor, marceneiro, prefeito e juiz de paz
Antônio Carlos du Aracaju - cantor e compositor
Padres Lima, João Lima e Gervásio Feitosa
Freis Angelino, Honorato e Petrônio Cardoso
Porto da Folha hoje

Região: Norte (Sertão)
Distância da capital: 190 Km
População: 26.635
Atividades econômicas: agricultura (milho e feijão)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Modos de ser e fazer Xocó!


Quando eles moravam na caiçara, o que plantavam era tudo dividido com o fazendeiro. Alguns tomavam dinheiro emprestado da colheita dor arroz. Quando chegava a época da colheita, quem não devia ao fazendeiro recebia a metade de tudo o que era produzido. Por exemplo: se colhesse dois alqueires de arroz, um era para o índio que plantou e o outro para o fazendeiro. Porém os índios que deviam dinheiro para o fazendeiro, perdiam todo o arroz, pois ele levava tudo para a sua fazenda.

Quanto a pesca na lagoa, também tinha que ser dividida com o fazendeiro. Pescavam e os maiores e melhores peixes eram sempre para eles. Era dividido em 3 partes, o fazendeiro ficava com 2 partes e os índios com 1. Para os Xocós, restavam apenas os peixes ruins e menores.

A comunidade vivia como criado para os Britos, e os netos de João Porfirio. A aldeia plantava arroz, milho, feijão, algodão, e tudo era dividido. As vezes os Britos traziam farinha e milho podres, bichados, para eles comerem. Os fazendeiros não deixavam eles criarem boi, vaca , bode, e nenhum tipo de animal.

Entre 70 e 71, os Xocós passaram muita fome. Comiam cuscuz, e coalhada, e comiam sem açúcar e farinha, porque não tinham. Pescavam aratanha (Camarão pequeno, de água doce, que vive em cardumes) para comer e vender. Contudo a lagoa secou e acabaram os camarões.

Em contrapondo a alimentação dos Xocós sem os fazendeiros era muito sadia. A comunidade sobrevivia com frutas, feijão, arroz, milho, a pesca e a caça eram complemento das refeições. Comiam com suas maneiras, esquentavam na brasa, tiravam do fogo e comiam. Esse tipo de alimentação foi substituída com o tempo, porém ainda hoje existe a maneira própria como is índios fazem suas comidas. As comidas costumeiras são o peixe, carne de boi. Fazem o famoso arribação e o cuscuz. Comem caju, manga, banana, melancia e goiaba.

Destacarei agora sobre a educação dos Xocós, todos participantes da cultura, das festas e dos rituais.



A Educação vem da família, desde que nasce a criança vai adaptando as coisas do seu povo. Ter que respeitar os mais velhos, respeitar a natureza, sabendo distinguir o bom do ruim, ensinar como trabalhar na terra, na água (pesca), na caça, com o artesanato e ter que ir para a escola para aprender como é o mundo la fora. A escola tem a finalidade de incentivar a própria cultura Xocó, para que ela seja vivida e respeitada.

Ensinam a valorizar a terra, as plantas que tem utilidade para remédios, o Toré como ato de respeito e tradição e ter que ser consciente que o povo é um só.


A Escola na comunidade Xocó, começou a funcionar em 1980, na sacristia da Igreja. Com o aumento do numero de alunos, surgiu a necessidade de construir uma escola que atendesse todo mundo. Então em 1983, o cacique Daminhão dos Santos e o vice-cacique José Apolônio dos Santos reivindicaram junto ao Governo Estadual a construção da Escola Xocó. Foi construída no ano 2002, através do FUNDESCOLA, uma nova escola que funciona como anexo. Na comunidade funciona da pré-escola a oitava série do Ensino Fundamental.

Na categoria divisão de tarefas as mulheres da aldeia também trabalham na agricultura, algumas pescam e caçam, e também cuidam da horta. Todas lavam roupas de casa no Rio São Francisco que passa dentro da aldeia e para os afazeres de casa a comunidade tem água encanada.

As mulheres se preocupam com a casa para que esteja sempre limpa e para que ela e seus filhos tenham conforto onde dormem e comem. Também se preocupam com as crianças na escola, para que aprendam a ler e escrever.

Os homens trabalham também na agricultura, cuidam da pecuária, praticam a pesca e se preocupam com os problemas existentes na aldeia (Pois a comunidade não conta com policiamento nem delegacia), Ainda há uma preocupação com o sustento dos filhos e com a aprendizagem dos mesmos.

O povo Xocó sabe fazer muita coisa. Com a obra prima a palha, o barro, e a madeira. São feitos vários instrumentos, como o arco e flecha, borduna e, o maracá (instrumento musical) que é produzido com o cambuco. As roupas para o dia de comemoração são feitas de palha do coqueiro, produzidas pelas próprias pessoas da aldeia. O barro serve para produzir a cerâmica, como panela, bule, fogareiro, cuscuzeiro, xícara, caneca, caçarola, potes, conjuntos de potes, conjuntos de caçarolas e etc. Com o coco ou as pontas do boi há a fabricação dos anéis, as pulseiras e os colares. A sua importância é o trazer o artesanato para o dia dos índios, que servirá de renda.

Espero que tenham obtido alguma informação sobre a cultura Xocó e a sua importância nos dias de hoje. A “influencia” do fazendeiro para a alimentação indígena. E os modos de ser, e fazer dos índios Xocó.

Suor e Luta. Retomada do patrimônio Xocó.


Abordaremos agora mais um momento de luta do povo Xocó, a retomada da ilha de São Pedro, o medo de ser morto dos índios, e a luta pela Caiçara.

Os Xocós não tiveram outra saída a não ser retomar o único pedaço de terra que é a Ilha de São Pedro, antiga missão de Porto da Folha. Começaram a pedir auxilio da igreja, do Conselho Indigenista missionário (CIMI), sindicatos e muitos outros órgãos, e amigos, na certeza que tinham direito de readquirir a sua terra, pois tinham a garantia de serem os verdadeiros donos daquela terra.
Foi ai que tudo começou. Resolveram fazer a retomada da Ilha de São Pedro em setembro de 1978, cercando-a completamente. Após o cercamento da ilha, continuaram morando na Caiçara, ficaram quase um ano sendo intimidados pelo Juiz de Direito de Porto da Folha, pelo delegado de Policia e pela Policia Federal.

Os Xocós ficavam indo dar depoimentos em todos esses locais e nada se resolvia. Em várias reuniões da comunidade, chegavam à conclusão de que nenhuma solução seria tomada a favor deles, e uma decisão teria que ser tomada, ou seja, entrar na terra que havia sido cercada por eles. Procuraram as autoridades e muitos órgãos que deram força, coragem e apoio e um ano depois, em nove de setembro de 1979 decidiram se mudar para a ilha.

Após essa entrada na ilha. A violência cometida pelos fazendeiros foi ponto principal da luta, chegando a colocar jagunços (pistoleiros pagos) contra os índios. Com intuito de perseguir, massacrar e fazer o recuo dos índios Xocós.

Quando chegaram à ilha, só encontraram a Igreja do Padroeiro São Pedro, o cemitério e as ruínas de um antigo convento, que, há muitos anos atrás, fora moradia de vários capuchinhos que fixaram suas residências na aldeia: frei João Berard, Frei Davi, e frei Doroteu de Loreto. Encontraram também o alicerce da casa que hospedou o Imperador D. Pedro II em visita às margens do Rio São Francisco, onde permaneceu durante três dias.

Na ilha ninguém tinha casa, vivia todo mundo debaixo dos pés de pau. Ninguém dormia direito com medo de ser morto pelos fazendeiros.

A questão começou a ganhar espaço nos órgãos de comunicação do Estado de Sergipe, e até nacionalmente, chegando a sensibilizar o Governo do Estado. Os Xocós continuaram na luta que pela documentação da ilha, e isso só veio acontecer dia 27 de junho de 1984, quando o Governador do Estado de Sergipe com a presença do Presidente da FUNAI e lideranças indígenas dos Xocós passaram a documentação do Estado para União e para a FUNAI.

Com isso terminava uma parte da luta que durou um período de seis anos. Após isso, os Xocós começaram a estudar a possibilidade de recuperar o restante da terra, a légua chamada de Terra Caiçara. (Imagem da Terra Caiçara)

Em 1985, a FUNAI (órgão indigenista oficial) forma uma comissão de engenheiros, técnicos, advogados, antropólogos, acompanhados por um técnico do INCRA de Sergipe para fazer o levantamento fundiário e, posteriormente, a demarcação da Terra Caiçara. Mas isso não foi possível devido à resistência dos fazendeiros que se diziam donos da terra dos Xocós.
Cansados de esperar e sentindo que o problema não seria resolvido, mas uma vez a comunidade indígena foi obrigada a fazer mais uma retomada para garantir que o direito sobre a terra Caiçara. Isso aconteceu em 31 de agosto de 1897.

Depois de tudo combinado, eles saíram atravessando o canal para abrirem as valetas, enquanto outras pessoas foram comunicar à FUNAI. Depois das valetas feitas, chegou o momento de irem para a casa do fazendeiro. Chegando lá, encontraram o empregado e mandaram-no ir embora. Foi quando o empregado avisou ao fazendeiro e o mesmo comunicou a Policia do Estado.

Dois dias depois veio o administrador da FUNAI, avisando que a comunidade ficasse despreocupada, pois não aconteceria nada, e que já havia tomado algumas providencias, porém, no decorrer de 20 minutos chegou a policia batendo, chutando e mandando todo mundo deitar no chão. A comunidade começou a rezar e avisar a policia que em nenhuma hipótese iriam sair dali. Quando o fazendeiro viu que ninguém iria sair, mandou a policia atirar. Porem o pedido não foi atendido.

E mais uma vez os Xocós foram vitimas de uma violência praticada por fazendeiros “invasores”. No dia 1 de setembro, com a cobertura do juiz de Direito da Comarca de Porto da Folha, eles foram barbaramente massacrados, pisados e chutados, expulsos da terra.

Após a expulsão recorreram a FUNAI, para que as providencias fossem tomadas, e mais uma vez o ocorrido foi parar na Justiça Federal, sendo encaminhado pelo Procurador da Justiça, o Exm. Dr. Evaldo Campos, para o Estado de Sergipe. Que deu entrada no dia 19 de janeiro de 1988. No dia 24 de dezembro de 1991 depois de muita luta, saiu a homologação da Terra Caiçara. Comemorado com grande entusiasmo pelo povo Xocó.

Sofrimento e Luta! Origem do povo Xocó.


Porém alguns remanescentes permaneceram em suas terras, aproximadamente 5 ou 6 famílias, que se sujeitaram a trabalhar na terra como escravos, sendo obrigados a nunca pronunciar a palavra “índio” e a não falar para ninguém a qual nação indígena perteciam.

Assim Permaneceram nessa situação sob o domínio do Coronel Porfírio, sem direito a reclamar de nada, a base de torturas. Permanecendo por cerca de 100 anos sem usar seus costumes tradicionais.

Durante esse longo período de tempo, o pequeno grupo de famílias que restou na terra foi crescendo, e em 1970 formavam um grupo de 25 famílias, que começavam a pesquisar sobre a História dos Xocós, em parceria com alguns frades da paróquia, antropólogos, sociólogos, conhecedores profundos da causa indígena. Nessa pesquisa a documentação provou a existência da origem dos índios Xocó, mostrando que houve uma légua de terra pertencente a eles, que é a Terra Caiçara. Sabendo disso, Os netos do “Coronel”, tentaram fazer o mesmo que fizeram com os antepassados Xocós.

Então eles começaram a se organizar, na tentativa de impedir as ações dos netos de Porfírio. Porém, mesmo com a organização, houve violência contra essa gente, obrigando a trabalhar forçadamente em suas roças. Proibindo-os de plantar milho, arroz, feijão, algodão, como também tocar seus instrumentos (violão e cavaquinhos, proibindo-os também de irem à igreja. Chegando até de proibir os índios de se abrigarem em suas casas.

A cada dia a situação ficava pior, os fazendeiros não deixavam eles trabalharem em suas terras, e também proibindo de arrumar trabalho em outro lugar. Passaram fome, tiveram doenças e ficaram assim por longos nove meses. Um grande estrago a uma cultura que foi erguida com tanto sacrifício.

Sergipe: Nossa história.


Siri-i-pe, palavra de origem tupi, significa “curso do rio dos siris”, ou simplesmente “rio dos siris”.
Na linguagem do colonizador, Siri-i-pe transformou-se em Sergipe.
Com a divisão do Brasil em Capitanias Hereditárias, o atual território sergipano fazia parte da capitania que se estendia da foz do rio São Francisco à Ponta do Padrão na Bahia, concedida a Francisco Pereira Coutinho, em 1534, por Carta de Doação.
As terras sergipanas, na época do descobrimento, eram habitadas por várias tribos indígenas. Além dos Tupinambá - tribo predominante que ocupava cerca de 30 aldeias ao longo do litoral -, havia Kiriri, Boimé, Karapató, Aramuru, Natu e Xocó - única tribo sobrevivente, que atualmente vive na Ilha de São Pedro, no município de Porto da Folha -, dentre outras.
Devido ao fracasso do sistema de capitanias, das quais só duas prosperavam, a Coroa portuguesa comprou, em 1549, a capitania, incluindo Sergipe - dos herdeiros do donatário, para sediar o governo-geral e nomeou Tomé de Souza como primeiro governador-geral da Colônia.
A primeira tentativa de colonização de Sergipe ocorreu a partir de 1575, quando os jesuítas Gaspar Lourenço e João Salônio percorreram algumas aldeias e por onde passaram, fundaram missões e ergueram igrejas dedicados a São Tomé - nas imediações do rio Piauí (supõe-se no atual município de Santa Luzia do Itanhy) -, a Santo Inácio - às margens do rio Vaza-Barris (Itaporanga D'Ajuda) -, e a São Paulo - provavelmente em território que hoje pertence ao município de Aracaju -, localizadas em terras dominadas pelos caciques tupinambás Surubi, Serigi e Aperipê.
Por ordem do rei Felipe II da Espanha e I de Portugal, Cristóvão de Barros fundou um arraial denominado de cidade de São Cristóvão, sede do governo, e deu à capitania o nome de Sergipe Del Rey, da qual foi nomeado o 1º capitão-mor.
Em 1696 Sergipe consegue sua autonomia jurídica com a criação da Comarca de Sergipe, sendo Diogo Pacheco de Carvalho nomeado como 1º ouvidor. Em 1698 foram instaladas as primeiras vilas: Itabaiana, Lagarto, Santa Luzia e Santo Amaro das Brotas.
No começo do século XIX, Sergipe tinha economia própria e o seu principal produto era o açúcar. Produzia-se também algodão, couro, fumo, arroz, mandioca e criava-se gado, exportado para as capitanias vizinhas.
No dia 08 de Julho de 1820, através de Decreto de Dom João VI, Sergipe torna-se autônomo, sendo elevado à categoria de Capitania. Finalmente, em 5 de dezembro de 1822, Dom Pedro I confirmou o decreto de 1820 que dava independência a Sergipe Del Rey.
O então presidente Inácio Joaquim Barbosa transfere o comando político-administrativo para o povoado de Santo Antônio de Aracaju, à margem direita do rio Sergipe. A mudança, movida por razões econômicas, gerou protestos em São Cristóvão.
Durante uma década, o Nordeste brasileiro viveu o clima do cangaço com o surgimento do bando chefiado por Virgolino Ferreira, o Lampião. O grupo percorreu Sergipe e mais seis estados nordestinos até 1938, ano em que foi surpreendido pela volante e morto junto com Maria Bonita e mais nove companheiros em seu esconderijo em Angico, no município de Poço Redondo, no vale do São Francisco.

Cultura Sergipana.


Música sergipana

Até 1970 a música popular massiva sergipana praticamente não existia. Não se produzia discos e ela se limitava a alguns intérpretes dos ritmos ouvidos em todo Brasil à época: boleros, chorinhos e muita música romântica e saudosista.

Os nomes que se destacaram foram: Luís Americano, que teve seu chorinho apresentado nos Estados Unidos, e Francisco Alves, conhecido em todo o Brasil. Contudo, o forró se apresentava como ritmo que atraia o gosto popular e a iniciativa artística local. Grandes nomes forrozeiros acompanharam o sucesso do ritmo levado ao país inteiro por Luiz Gonzaga, e fizeram sucesso nacionalmente representando Sergipe. Dentre eles estão Clemilda e Erivaldo de Carira.

É no final da década de 70 e início dos anos 80, que começa a surgir um sentimento ufanista em nosso Estado em relação à música. Desenvolve-se o conceito de música popular sergipana, que traz a idéia de uma música autêntica de Sergipe.

Os festivais

As décadas de 70 e 80 foram marcadas por grandes Festivais de Música no Brasil, valorizando a música popular brasileira e revelando grandes artistas. Sergipe também acompanhou este movimento, pois, além dos Festivais Nacionais, havia vários outros festivais regionais e estaduais dos quais nossos artistas participavam. Além disso, Sergipe também teve seus festivais, e um dos primeiros que entraram para a história foi o FMPS - Festival de Música Popular Sergipana, na década de 80, cujo primeiro vencedor foi o grupo Cata Luzes. A sua segunda edição revelou o cantor Mingo Santana, que ganhou o primeiro lugar com a música 'Sementeira'.

Outro festival importante foi o Novo Canto - Festival de Música Estudantil, que em 86, 87 e 88, lançou nomes como Chico Queiroga, Antônio Rogério, Sena e Sergival, Nininho Silveira, hoje Nino Karva, entre outros. Vale lembrar que o festival gravava um disco com as 10 melhores músicas.

Música popular sergipana

Intimista, a música popular sergipana surgiu nos anos 1980. Ufanista, a música produzida optou por temas sempre ligados à nossa cultura, aos aspectos físicos e naturais do Estado, ou simplesmente, à situações ou pessoas do lugar, como pode ser notado em trabalhos do já mencionado grupo Cata Luzes, além dos cantores Paulo Lobo, Lula Ribeiro e Irineu Fontes.

Quanto ao ritmo, variava de blues a rock, passando pelo forró, é claro. Também nessa década, surgiu, de forma acanhada, a bossa nova sergipana, tendo como propiciadores Joubert Moraes, Lina e Marco Preto.

Os encontros culturais em Sergipe tiveram uma participação importante na divulgação de nossa música e ritmos folclóricos. Destaca-se nesse período o Encontro Cultural de Graccho Cardoso, que, em sua edição de 98, aboliu qualquer tipo de música massiva como o axé ou o pagode.

Os demais encontros, sendo os principais o Encontro Cultural de Laranjeiras, o Festival de arte de São Cristóvão (FASC) e o Encontro Cultural de Propriá, que biscavam dar ênfase ao folclore, às manifestações populares e à arte.

Nas décadas de 70 e 80, o principal elemento de divulgação dos músicos sergipanos foram, sem dúvida, os bares. Cada dia da semana era destinado a um barzinho.

A Universidade Federal de Sergipe também foi um dos fomentadores da nossa produção musical, embora tenha sido de maneira esporádica, mas, indiretamente, lá se articulava o movimento da música popular do Estado. A UFS promoveu em 1989 o Festival de Música Ecológica, cujo vencedor foi Nininho Silveira, e em 92, o Femufs - Festival de Música Universitária.

Em 1997 surgiu uma nova tentativa de articular o Novo canto, mas que não obteve o mesmo referencial das edições anteriores. Projetos como o Prata da Casa e o Projeto Seis e Meia, promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura, incentivaram o trabalho de muitos artistas.

O Canta Nordeste, na década de 1990, estimulou a produção musical de Sergipe, reunindo grandes intérpretes e compositores como Amorosa, Ismar Barreto e Patrícia Polayne.

Em nível local, o Sescanção, festival realizado pelo Sistema Fecomércio, pode ser considerado hoje o evento mais articulador da música em Sergipe.

A década de 1990 e a Pausterização da Música

O aparecimento da Axé-music começa a tomar lugar no gosto popular estimulado pela mídia. Depois com a prévia carnavalesca inspirada na axé-music baiana, o Pré-caju, e do Forró eletrônico, o processo de gravação da música popular sergipana foi totalmente interrompido.

A onda da forró-music conta com inúmeras bandas locais que são sucesso todo ano. Poderíamos citar Raio da Silibrina, Brucelose, Calcinha Preta, Bando de Mulheres e Chamego de Menina.

Dessa forma, muitos dos artistas de referência dessa música tiveram que buscar outras formas de divulgação de seus trabalhos participando de festivais em outras partes do Brasil, como o de Campos do Jordão ou Maringá, ou tentando divulgar seus trabalhos nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, como Lula Ribeiro, Doca Furtado e Chico Queiroga, mas não fugindo totalmente de suas origens.

Alguns artistas destacaram-se naqueles festivais como a dupla Sena e Sergival. Outros artistas como Amorosa, Rogério tiveram que se adaptar ao mercado dos mass media em um desses momentos, embora buscassem manter um sentido mais artístico e caracterizador da cultura local.

Dos artistas em destaque nos anos 1980, só em meados da década de 1990 é que alguns conseguiram realizar um trabalho completo como Chico Queiroga, que formou dupla com Antônio Rogério, Joésia Ramos, Mingo Santana, Antônio Rogério e Rubens Lisboa. O grupo Cata Luzes também consegue nesta década gravar seu segundo CD.

A década de 90

Outros gêneros musicais são fomentados na década de 1990. O gênero pop-rock, em Sergipe, desponta com o festival de Rock-SE. Alguns artistas se destacam, a exemplo de Minho San-Liver e Mosaico.

A banda Snooze, que apresentou álbuns com selos independentes, considerados pela crítica bons trabalhos, é um bom exemplo do rock sergipano. Tempos depois, surgem artistas como Alex Sant'anna e bandas como Cartel de Bali, Java, Plástico Lunar, Sibberia, e Alapada, que recentemente conseguiu lançar uma música em novela da rede Record.

O rock mais pesado tem seu representante com a banda Karne Krua, que faz shows até hoje, Triste fim de Rosilene, além de bandas mais novas, como a MAUA.

A diversidade musical em Sergipe cada vez mais se consolida também em outros estilos, a exemplo do reggae, que tem na banda Reação um grande nome.

Identidade e folclore na música sergipana

Parte do momento de valorização das manifestações culturais folclóricas duas modalidades que podem ser observadas na relação entre folclore e música em Sergipe: a inserção de temas e versos dos folguedos na canção popular sergipana, e a hibridização da música misturando ritmos do rock, jazz e blues a ritmos folclóricos. O ponto comum é a valorização da cultura de Sergipe e a inserção nas tendências mundiais da produção musical.

O folclore tem sido valorizado nas canções populares. Mingo Santana foi um dos primeiros a vislumbrar os ritmos folclóricos misturando aos seus blues ritmos do folguedo Cacumbi. Suas letras também refletem sua relação com a natureza e o folclore local.

A dupla Chico Queiroga e Antônio Rogério também trazem o folclore, embora cantando versos da dança de São Gonçalo, como contraponto à seqüência da música.

Na segunda modalidade, a música contemporânea sergipana carrega de sons diversos, misturando ritmos folclóricos sergipanos e nordestinos com rock, reggae e música eletrônica. A influência do movimento Manguebit de Pernambuco constitui uma das principais características de muitos grupos, como na banda Sulanca. A banda Sulanca de forma mais definida trabalha vários sons inspirados em várias danças e folguedos sergipanos bem como dos emboladores típicos das feiras nordestinas. No seu álbum 'Megafone' insere diversas faixas incidentais desses ritmos.

As bandas Naurêa e Maria Scombona têm ganhado destaque no cenário nacional, participando de feiras de música alternativas e independentes, sobretudo a de Brasília e de Fortaleza.

Suas músicas trazem uma proposta de interação de culturas, e ao mesmo tempo de preservação e resgate da cultura local.

O próprio nome da banda Maria Scombona já reflete um engajamento com a identidade sergipana, pois trata-se de uma expressão coloquial que significa cambalhota. A banda tem como característica básica a mistura de ritmos regionais com rock, jazz e blues, e letras despojadas com expressões do cotidiano e de uso coloquial.

A banda Naurêa trouxe no seu segundo CD, lançado em 2006, ritmos trazidos do Reisado e do Maracatu, inclusive com uma referência a dona Lalinha, mestre do grupo de reisado da cidade de Laranjeiras, que mantém a tradição mesmo a pós a sua morte.

A banda Lacertae também se insere nesse contexto, trazendo uma proposta híbrida: embora priorize o rock experimental, misturam a MPB e o folclore da música nordestina. A banda inova inserindo outras artes, como é típico da música contemporânea, como no CD 'A Volta que o Mundo Deu', com versos de 'Amiga Folhagem', do escritor sergipano Sílvio Romero.

Nova fase

A Nova Música de Sergipe tem rendido gratas surpresas, a exemplo de bandas como a Rótulo e Ode ao Canalha, e novos festivais tem acontecido para dar visibilidade aos artistas da música, a exemplo do Coverama (festival de música cover) e Sonorama (festival de música autoral).

Outros bons exemplos de espaços para a visibilidade da música local são os eventos 'Verão Sergipe', 'Rock Sertão', 'Projeto Verão', 'Forró Caju' e 'Arraiá do Povo'.

Com o tempo, a valorização da produção musical sergipana tem sido maior e vista como investimento, afinal, a cultura é um grande produto de exportação de Sergipe, e todos precisam conhecer o que existe de melhor no estado quando o assunto é música.

Brasília – Capital do Brasil.


Com o crescimento do Brasil surgiu a necessidade de mudar a capital do país para uma área central, a fim de facilitar as tomadas de decisão dos governantes.

A constituição de 1891, preocupada em manter a defesa e o desenvolvimento do país, fez uma doação à União de uma área de 14.000 km², localizada no Planalto Central, para se construir a futura Capital Federal.

Passaram-se muitos anos sem a execução desse projeto, mas em 1956, após a eleição do presidente Juscelino Kubitschek, as obras tiveram início e foram terminadas depois de mil dias de trabalho, fundando-se a cidade de Brasília em 21 de abril de 1960.

O arquiteto responsável pela criação da nova capital foi Lúcio Costa, tendo desenhado a cidade no formato de um avião. Os edifícios públicos de Brasília ficaram sob a criação de Oscar Niemeyer, nascido em 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Esse é considerado um dos maiores nomes da arquitetura mundial, pois seus feitos marcam uma forma inovadora de trabalho e das obras.


Mapa de Brasília, Catedral, Esplanada dos Ministérios e Congresso Nacional

Diferente da maioria das capitais brasileiras, Brasília cresceu de forma ordenada, pois sendo uma cidade planejada, ficou totalmente pronta antes que os moradores chegassem e ocupassem suas residências.

Seus bairros foram construídos tendo comércio, escola, igreja, parque de diversões, praça pública, a fim de facilitar a vida dos moradores. Nada ali é misturado como em outras cidades. As residências estão separadas de bancos, dos prédios administrativos, dos hospitais, das redes hoteleiras, estando cada um desses em locais específicos.

Outras cidades também foram planejadas assim como Brasília: Belo Horizonte – MG, Goiânia – GO e Palmas – TO.

Em Brasília está a sede do governo federal, onde trabalha o presidente da república e toda a sua equipe de ministros, a fim de garantir o perfeito funcionamento do nosso país.

As Primeiras Lavouras de Cana de Açúcar do Brasil.


As lavouras de cana de açúcar do Brasil foram uma forma que os portugueses encontraram para ganhar dinheiro na Europa, pois o açúcar era bem aceito e comercializado lá fora.

Para instalar a produção de açúcar no Brasil, Portugal fez um acordo com a Holanda, dando-lhe o direito de assumir o refino e a venda do produto. Em troca, a Holanda financiaria a construção de engenhos pelo país, mas teria que comprar dos portugueses as pedras de açúcar, que eram feitas em forma de pão. Essas pedras ficaram conhecidas como Pão-de-Açúcar, o que originou o nome do lindo morro da cidade do Rio de Janeiro.

As pedras adquiridas pelos holandeses passavam pelo processo de refino, e o açúcar produzido era vendido nos países europeus, o maior lucro ficava para a Holanda.

Em Pernambuco e na Bahia as plantações eram grandes, pois o tipo de solo favorecia as plantações, além do clima quente e úmido. Lá se encontravam os maiores engenhos do país, na época colonial.

Mas foi Martin Afonso Pena que levou a cultura da cana para o litoral do estado de São Paulo, através de mudas retiradas da ilha da Madeira. Nos engenhos eram produzidos produtos como caldo de cana, melado, rapadura, aguardente, além do açúcar.


Escravos na lida com a cana de açúcar

As fazendas de plantio de cana também eram conhecidas como engenhos e nelas moravam os donos das terras, conhecidos também como senhores de engenho, homens ricos e muito respeitados. Com eles moravam seus familiares, os escravos, os feitores e outros empregados.

Com o aumento da produção de cana de açúcar, o país precisou de mão de obra para o trabalho nas lavouras, e os escravos, trazidos da África em navios negreiros, vieram para esse trabalho. Isso aconteceu por volta do ano de 1535. Tiveram ainda que investir na criação de gado, para fazer o transporte da cana.

Os navios negreiros não tinham condições adequadas para o transporte de pessoas. Ali os negros podiam contrair doenças, pois não tinham condições de higiene. Além disso, eram muito maltratados, apanhavam, passavam fome e frio, muitos morriam durante a viagem.

Quando chegaram ao Brasil encontraram imensos canaviais para trabalharem cortando e plantando a cana, com uma jornada de trabalho que ia do nascer ao pôr do sol.

Tantos maus tratos fizeram com que os negros mais corajosos fugissem das fazendas em busca da liberdade, assim formaram as comunidades negras, a que deram o nome de quilombos. O mais conhecido deles foi o Quilombo de Palmares, situado onde é hoje o estado de Alagoas.

As fazendas de cana de açúcar fizeram com que o litoral nordestino tivesse um grande crescimento, com o surgimento de várias outras fazendas que aos poucos viraram pequenas vilas, sendo mais tarde transformadas em cidades.

Os negros foram muito importantes para a formação da etnia brasileira, pois trouxeram seus conhecimentos culinários, de danças, músicas, além de palavras que influenciaram nossa língua.

As Invasões dos Franceses ao Brasil.


Em 1555, no governo de Duarte da Costa, os franceses invadiram o Brasil na região do Rio de Janeiro, pois não aceitavam o domínio de Portugal sobre as terras brasileiras.

Os franceses vieram para fundar uma colônia de exploração econômica, através do tráfico do pau-brasil, a madeira mais nobre e bonita que havia em nossas terras.

Comandados pelo almirante Coligny e por Nicolau Durand de Villegaignon, tomaram posse da baía de Guanabara, se instalando na ilha de Paranapuã, a atual ilha do Governador, no estado do Rio de Janeiro.

Como eram muito simpáticos e de boa prosa, os franceses não tiveram dificuldades em conquistar a simpatia dos índios Tamoios, que também eram contra os portugueses. Com isso, os franceses contaram com o apoio desses índios para permanecerem no Brasil.


Fortes de Villegaignos e São Luis – tentativas francesas de invadir o Brasil

Para se protegerem, construíram o forte de Villegaignon e fundaram a colônia França Antártica, que existiu pelo período de 1555 a 1567, buscando implantar a primeira igreja protestante no País. Mas não conseguiram se firmar em nossas terras, pois foram expulsos pelos portugueses.

Mem de Sá, o governador da época, precisou contar com reforços para liderar esse movimento, sendo enviado Estácio de Sá, seu sobrinho, que se tornou o grande líder da disputa.

Os franceses não desistiram. Em 1612, fizeram novas tentativas de se estabelecer no Brasil, mas dessa vez no estado do Maranhão. Sob o camando de Daniel de La Touche, as terras maranhenses foram invadidas, onde fundaram a França Equinocial, construindo o forte de São Luis para se defenderem.

O nome do forte foi uma homenagem ao rei da França na época, Luís XIII, o que originou o nome da futura capital do estado, São Luis do Maranhão.

Mas em 1615 os franceses perderam mais um confronto, os portugueses conseguiram expulsá-los novamente do Brasil.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Chico Xavier


Nascido no seio de uma família humilde, era filho de João Cândido Xavier, um modesto vendedor de bilhetes de loteria, e de Maria João de Deus, uma dona de casa católica e piedosa.

Segundo biógrafos, a mediunidade de Chico teria se manifestado pela primeira vez aos quatro anos de idade,quando ele respondeu ao pai sobre Ciências, durante conversa com uma senhora sobre gravidez. Ele dizia ver e ouvir os espíritos e conversava com eles.

Os abusos da madrinhaA mãe faleceu quando Francisco tinha apenas cinco anos de idade. Incapaz de criá-los, o pai distribuiu os nove filhos entre a parentela. Nos dois anos seguintes, Francisco foi criado pela madrinha e antiga amiga de sua mãe, Rita de Cássia, que logo se mostrou uma pessoa cruel, vestindo-o de menina e batendo-lhe diariamente, inicialmente por qualquer pretexto e, mais tarde, sob a alegação de que o "menino tinha o diabo no corpo". Não se contentando em açoitá-lo com uma vara de marmelo, Rita passou a cravar-lhe garfos de cozinha no ventre, não permitindo que ele os retirasse, o que ocasionou terríveis sofrimentos ao menino. Os únicos momentos de paz que tinha consistiam nos diálogos com o espírito de sua mãe, com quem se comunicava desde os cinco anos de idade:o menino viu-o após uma prece, junto à sombra de uma bananeira no quintal da casa. Nesses contatos, o espírito da mãe recomendava "paciência, resignação e fé em Jesus" ao filho.

A madrinha ainda criava outro filho adotivo, Moacir, que sofria de uma ferida incurável na perna. Rita decidiu seguir a simpatia de uma benzedeira, que consistia em fazer uma criança lamber a ferida durante três sextas-feiras em jejum, sendo a tarefa atribuída ao pequeno Francisco. Revoltado com a imposição, Francisco conversou novamente com o espírito da mãe, que lhe aconselhou a "lamber com paciência". O espírito explicou-lhe que a simpatia "não é remédio, mas poderia aplacar a ira da madrinha", esta sim passível de colocar em risco a sua vida. Os espíritos se encarregariam da cura da ferida. De fato, curada a perna de Moacir, Rita de Cássia melhorou o tratamento dado a Francisco.

A madrastaO seu pai casou-se novamente, e a nova madrasta, Cidália Batista, exigiu a reunião dos nove filhos. Francisco tinha então sete anos de idade. O casal teve ainda mais seis filhos. Por insistência da madrasta, o menino foi matriculado na escola pública. Nesse período, o espírito de Maria João parou de manifestar-se. O jovem Francisco, para ajudar nas despesas da casa, começou a trabalhar vendendo os legumes da horta da casa.

Na escola, como na igreja, as faculdades paranormais de Francisco continuaram a causar-lhe problemas. Durante uma aula do 4º ano primário, afirmou ter visto um homem que lhe ditou as composições escolares, mas ninguém lhe deu crédito e a própria professora não se importou. Uma redação sua ganhou menção honrosa num concurso estadual de composições escolares comemorativas do centenário da Independência do Brasil, em 1922. Enfrentou o ceticismo dos colegas, que o acusaram de plágio, acusação essa que sofreu durante toda a vida. Desafiado a provar os seus dons, Francisco submeteu-se ao desafio de improvisar uma redação (com o auxílio de um espírito) sobre um grão de areia, tema escolhido ao acaso, o que realizou com êxito.

A madrasta Cidália pediu a Francisco que se aconselhasse com o espírito da falecida mãe dele sobre como evitar que uma vizinha continuasse a furtar hortaliças e esta lhe disse para torná-la responsável pelo cuidado da horta, conselho que, posto em prática, levou ao fim dos furtos.

Assustado com a mediunidade do jovem, o seu pai cogitou em interná-lo. O padre Scarzelli examinou-o e concluiu que seria um erro a internação, tratando-se apenas de "fantasias de menino". Scarzelli simplesmente aconselhou a família a restringir-lhe as leituras (tidas como motivo para as fantasias) e a colocá-lo no trabalho. Francisco, então, ingressou como operário em uma fábrica de tecidos, onde foi submetido à rigorosa disciplina do trabalho fabril, que lhe deixou sequelas para o resto da vida.

No ano de 1924 terminou o antigo curso primário e não mais voltou a estudar. Mudou de trabalho, empregando-se como caixeiro de venda, ainda em horários extensos. Apesar de católico devoto e das incontáveis penitências e contrições prescritas pelo padre confessor, não parou de ter visões e nem de conversar com espíritos.

O contato com a Doutrina EspíritaEm 1927,[4] então com dezessete anos de idade, Francisco perdeu a madrasta Cidália, e se viu diante da insanidade de uma irmã, que descobriu ser causada por um processo de obsessão espiritual. Por orientação de um amigo, Francisco iniciou-se no estudo do espiritismo. No mês de maio desse mesmo ano recebeu nova mensagem de sua mãe, na qual lhe era recomendado o estudo das obras de Allan Kardec e o cumprimento de seus deveres. Em junho, ajudou a fundar o Centro Espírita Luiz Gonzaga, em um simples barracão de madeira de propriedade de um seu irmão. Em julho, por orientação dos espíritos seus mentores, iniciou-se na prática da psicografia, escrevendo 17 páginas. Nos quatro anos subsequentes aperfeiçoou essa capacidade embora, como relata em nota no livro Parnaso de Além-Túmulo, ela somente tenha ganho maior clareza em finais de 1931. Desse modo, pela sua mediunidade começaram a manifestar-se diversos poetas falecidos, somente identificados a partir de 1931. Em 1928 começou a publicar as suas primeiras mensagens psicografadas nos periódicos O Jornal, do Rio de Janeiro, e Almanaque de Notícias, de Portugal.[7]

As primeiras obrasEm 1931, em Pedro Leopoldo, iniciou a psicografia da obra "Parnaso de Além-Túmulo". Esse ano, que marca a "maioridade" do médium, é o ano do encontro com seu mentor espiritual Emmanuel, "...à sombra de uma árvore, na beira de uma represa..." (SOUTO MAIOR, 1995:31). O mentor informa-o sobre a sua missão de psicografar uma série de trinta livros, e explica-lhe que para isso são lhe exigidas três condições: "disciplina, disciplina e disciplina". Severo e exigente o mentor instruiu-o a manter-se fiel a Jesus e a Kardec, mesmo na eventualidade de conflito com a sua orientação. Mais tarde, o médium conheceu que Emmanuel havia sido o senador romano Publio Lêntulus, posteriormente renascido como escravo e simpatizante do cristianismo e que, em reencarnação posterior, teria sido o padre jesuíta Manuel da Nóbrega, ligado à evangelização do Brasil.

Em 1932 foi publicado o "Parnaso de Além-Túmulo" pela Federação Espírita Brasileira (FEB). A obra, coletânea de poesias ditadas por espíritos de poetas brasileiros e portugueses, obteve grande repercussão junto à imprensa e à opinião pública brasileira, e causou espécie entre os literatos brasileiros, cujas opiniões se dividiram entre o reconhecimento e a acusação de pastiche. O impacto era aumentado ao se saber que a obra tinha sido escrita por um "modesto escriturário" de armazém do interior de Minas Gerais, que mal completara o primário. Conta-se que o espírito de sua mãe aconselhou-o a não responder aos críticos.

Os direitos autorais das suas obras são concedidos à FEB. Neste período inicia a sua relação com Manuel Quintão e Wantuil de Freitas. Ainda neste período descobriu ser portador de uma catarata ocular, problema que o acompanhou o resto da vida. Os espíritos seus mentores, Emmanuel e Bezerra de Menezes, orientam-no para tratar-se com os recursos da medicina humana e não contar com quaisquer privilégios dos espíritos. Continuou com o seu emprego de escriturário e a exercer as suas funções no Centro Espírita Luís Gonzaga, atendendo aos necessitados com receitas, conselhos e psicografando as obras do Além. Paralelamente, iniciou uma longa série de recusas de presentes e distinções, que também perdurará por toda a vida, como por exemplo, a de Fred Figner, que lhe legou vultosa soma em testamento, repassada pelo médium à FEB. Com a notoriedade, prosseguiram as críticas de pessoas que tentavam desacreditá-lo. Além dessas pessoas, Chico Xavier ainda dizia que inimigos espirituais, buscavam atingi-lo com fluidos negativos e tentações. Souto Maior relata uma tentativa de "linchamento pelos espíritos", bem como um episódio em que jovens nuas tentam o médium em sua banheira. Observe-se que ambos os episódios contêm aspectos narrativos comuns à chamada "prova", comum em histórias de santidade.

O processo da viúva de Humberto de CamposNo decorrer da década de 1930, destacaram-se ainda a publicação dos romances atribuídos a Emmanuel e da obra "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", atribuída ao espírito de Humberto de Campos, onde a história do Brasil é interpretada de forma mítica e teológica. Esta última obra trouxe como consequência uma ação judicial movida pela viúva do escritor, que pleiteou por essa via direitos autorais pelas obras psicografadas, caso se confirmasse a autoria do famoso escritor maranhense. A defesa do médium foi suportada pela FEB, e resultou, posteriormente, no clássico "A Psicografia Perante os Tribunais", do advogado Miguel Timponi. Em sua sentença, o juiz decidiu que os direitos autorais referiam-se à obra reconhecida em vida do autor, não havendo condição do tribunal se pronunciar sobre a existência ou não da mediunidade. Ainda assim, para evitar possíveis futuras polêmicas, o nome do escritor falecido foi substituído pelo pseudônimo "Irmão X".

Neste período, Francisco ingressou no serviço público federal, como Auxiliar de Serviço no Ministério da Agricultura. Como curiosidade, refere-se que, em toda a sua carreira como funcionário público, não existe registro de qualquer falta ao serviço.

Nosso LarVer artigo principal: Nosso Lar
Ver artigo principal: Nosso Lar (filme)
Em 1943 vem a público uma das obras mais populares da literatura espírita no país, o romance "Nosso Lar", o mais vendido e divulgado da extensa obra do médium que no ano de 2010 se tornou um filme. Este é o primeiro de uma série de livros cuja autoria é atribuída ao espírito André Luiz.

Neste período, a celebridade de Chico Xavier é crescente, e cada vez mais pessoas o procuram em busca de curas e mensagens, transformando a pequena cidade de Pedro Leopoldo, em um centro informal de peregrinação. Tendo morrido na miséria o seu antigo patrão, José Felizardo, o médium empenha-se em arranjar-lhe um sepultamento digno, pedindo doações de casa em casa para esse fim. De acordo com o seu biógrafo Ubiratan Machado, "...até mesmo um mendigo cego doou-lhe toda a féria do dia". (MACHADO, 1996:53).

O caso Amauri PenaVer artigo principal: Amauri Pena
Em 1958 o médium viu-se no centro de uma nova polêmica, desta vez por conta das denúncias de um sobrinho, Amauri Pena, filho da irmã curada de obsessão. O sobrinho, ele mesmo médium psicógrafo, anunciou-se pela imprensa como falso médium, um imitador muito capaz, acusação que estendeu ao tio. Chico Xavier defendeu-se, negando ter qualquer proximidade com o sobrinho. Já com antecedentes de alcoolismo e com sérios remorsos pelos danos causados à reputação do tio, Amauri foi internado num sanatório psiquiátrico em São Paulo, onde veio a falecer.

A parceria com Waldo VieiraNo mesmo período, Chico Xavier conheceu o jovem médico e médium Waldo Vieira, em parceria com quem psicografou diversas obras em comum, até à ruptura de ambos, alguns anos depois.

Em 1959 estabeleceu residência em Uberaba, onde viveu até ao fim de seus dias. Continuou a psicografar inúmeras obras, passando a abordar os temas que marcam a década de 1960, como o sexo, as drogas, a questão da juventude, a tecnologia, as viagens espaciais e outros. Uberaba, por sua vez, tornou-se centro de peregrinação informal, com caravanas a chegar diariamente, de pessoas com esperança de um contato com parentes falecidos. Neste período popularizam-se os livros de "mensagens": cartas ditadas a familiares por espíritos de pessoas comuns. Prosseguem também as campanhas de distribuição de alimentos e roupas para os pobres da cidade.

Em 22 de maio de 1965 Chico Xavier e Waldo Vieira viajaram para Washington, Estados Unidos, a fim de divulgar o espiritismo no exterior. Com a ajuda de Salim Salomão Haddad, presidente do centro Christian Spirit Center, e sua esposa Phillis, estudaram inglês e lançaram o livro "Ideal Espírita", com o nome de "The World of The Spirits".

As entrevistas no programa televisivo Pinga-FogoVer artigo principal: Pinga-Fogo
No alvorecer da década de 1970, Chico participou de programas de televisão que alcançaram picos de audiência. Nessa década, além da catarata e dos problemas de pulmões, passou a sofrer de angina. Passou ainda a ajudar pessoas pobres com o dinheiro da vendagem de seus livros, tendo para tanto criado uma fundação.

As décadas de 1980 e 1990Em 1981 foi proposto para o Prêmio Nobel da Paz, que não ganhou. Neste período a sua fama ampliou-se no exterior, com diversas de suas obras sido vertidas em diversas línguas, assim como ganhou adaptações para telenovelas.

Ao final da década de 1990 o médium contava com mais de 400 títulos de livros psicografados. Nesse período estimava-se em aproximadamente 50 milhões os livros espíritas circulando no Brasil, dos quais 15 milhões eram atribuídos a Chico Xavier e 12 milhões a Kardec (SANTOS, 1997:89).

No ano de 1994 o tablóide estadunidense National Examiner publicou uma matéria em que, no título, declarava que "Fantasmas escritores fazem romancista milionário".[9] A matéria foi alardeada no Brasil com destaque pela hoje extinta revista Manchete[10], com o título de "Secretário dos Fantasmas", onde se declarava que, segundo informava a "National Examiner", o médium brasileiro ficou milionário, havendo ganho 20 milhões de dólares como "secretário de fantasmas". A revista Manchete continuava: "Segundo o jornal, ele é o primeiro a admitir que os 380 livros que lançou são de 'ghost-writers', mas 'ghosts' mesmo, em sentido literal", concluindo "Chico simplesmente transcreve as obras psicografadas de mais de 500 escritores e poetas mortos e enterrados."

O médium não respondeu, mas a FEB, por seu então Presidente Juvanir Borges de Souza, editora de boa parte das obras de Chico Xavier, enviou uma carta à revista em que informava utilizar os direitos autorais e remuneração pelas obras de Francisco Cândido Xavier, para uso da caridade, o mesmo se passando com outras editoras, ressaltando que "os direitos autorais são cedidos gratuitamente, visando tornar o livro espírita bastante acessível e contribuir, destarte, para a difusão da Doutrina Espírita."

O mesmo Presidente da FEB, em 4 de outubro daquele ano, por ocasião do I Congresso Espírita Mundial, apresentou uma "moção de reconhecimento e de agradecimento ao médium Francisco Cândido Xavier", aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, em proposta apresentada pelo Presidente da Federação Espírita do Estado de Sergipe. No documento, as entidades representativas do Espiritismo no Brasil devotavam a sua gratidão e respeito ao médium "pelos intensos trabalhos por ele desenvolvidos e pela vida de exemplo, voltados ao estudo, à difusão e à prática do Espiritismo, à orientação, ao atendimento e à assistência espiritual e material aos seus semelhantes".

Falecimento“'Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.'”

— Chico Xavier

O médium faleceu aos 92 anos de idade em decorrência de parada cardiorrespiratória no dia 30 de junho do ano de 2002.[13] Conforme relatos de amigos e parentes próximos, Chico teria pedido a Deus para morrer em um dia em que os brasileiros estariam muito felizes, e que o país estaria em festa, por isso ninguém ficaria triste com seu passamento. O país festejava a conquista da Copa do Mundo de futebol daquele ano no dia de seu falecimento (Chico morreu cerca de dez horas após a partida Brasil x Alemanha).

Homenagens Chico foi eleito o mineiro do século XX, seguido por Santos Dumont e Juscelino Kubitschek.

Recentemente, iniciou-se a construção de um centro em sua homenagem.[14]

Filme biográficoEm 2 de abril de 2010, data em que Chico Xavier completaria 100 anos, estreou Chico Xavier - O Filme[15], baseado na biografia "As Vidas de Chico Xavier", do jornalista Marcel Souto Maior. Dirigido e produzido pelo cineasta Daniel Filho, Chico Xavier é retratado pelos atores Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier, respectivamente, em três fases de sua vida: de 1918 a 1922, 1931 a 1959 e 1969 a 1975.

Psicografias

Alegoria que representa, segundo a ótica espírita, o médium Chico Xavier psicografando uma mensagem do espírito Emmanuel.Chico Xavier psicografou 451 livros, sendo 39 publicados após a morte.[16] Nunca admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras. Reproduzia apenas o que os espíritos lhe ditavam.[4] Por esse motivo, não aceitava o dinheiro arrecadado com a venda de seus livros.[17] Vendeu mais de 50 milhões de exemplares em português, com traduções em inglês, espanhol, japonês, esperanto, italiano, russo, romeno, mandarim, sueco e braile. Psicografou cerca de 10 mil cartas de mortos para suas famílias.[16] Cedeu os direitos autorais para organizações espíritas e instituições de caridade, desde o primeiro livro.[6][18]

Suas obras são publicadas pelo Centro Espírita União, Casa Editora O Clarim, Edicel, Federação Espírita Brasileira, Federação Espírita do Estado de São Paulo, Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Fundação Marieta Gaio, Grupo Espírita Emmanuel s/c Editora, Comunhão Espírita Cristã, Instituto de Difusão Espírita, Instituto de Divulgação Espírita André Luiz, Livraria Allan Kardec Editora, Editora Pensamento e União Espírita Mineira.

Mesmo não tendo ensino completo ele escrevia em torno de 6 livros por ano entre eles livros de romances, contos, filosofia, ensaios, apólogos, crônicas, poesias... É o escritor mais lido da América Latina. (nota: ano de 2010).

Seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, com 256 poemas atribuídos a poetas mortos, entre eles os portugueses João de Deus, Antero de Quental e Guerra Junqueiro, e os brasileiros Olavo Bilac, Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos, foi publicado pela primeira vez em 1932.[4] O livro gerou muita polêmica nos círculos literários da época. O de maior tiragem foi Nosso Lar, publicada no ano de 1944, atualmente com mais de 2 milhões de cópias vendidas [19], atribuído ao espírito André Luiz, sendo o primeiro volume da coleção de 17 obras, todas psicografadas por Chico Xavier, algumas delas em parceria com o médico mineiro Waldo Vieira.

Uma de suas psicografias mais famosas, e que teve repercussão mundial, foi a do caso de Goiânia em que José Divino Nunes, acusado de matar o melhor amigo, Maurício Henriques, foi inocentado pelo juiz que aceitou como prova válida (entre outras que também foram apresentadas pela defesa) um depoimento da própria vítima, já falecida, através de texto psicografado por Chico Xavier. O caso aconteceu em outubro de 1979, na cidade de Goiânia, Goiás. Assim, o presumido espírito de "Maurício" teria inocentado o amigo dizendo que tudo não teria passado de um acidente.

Catolicismo no Brasil.


O catolicismo apostólico romano é atualmente a maior religião do Brasil, ativa no país desde o período pré-colonial, quando foi introduzida por missionários que acompanhavam os colonizadores portugueses. A Igreja Católica exerce grande influência nos aspectos político, social e cultural dos brasileiros.

A principal religião do Brasil, desde o século XVI, tem sido o catolicismo romano. Ela foi introduzida por missionários que acompanharam os exploradores e colonizadores portugueses nas terras do país recém-descoberto. O Brasil é considerado o maior país do mundo em número de católicos nominais, com 73,8% da população brasileira declarando-se católica, de acordo com o Censo do IBGE de 2000. Porém, sua hegemonia deve ser relativizada devido ao grande sincretismo religioso existente no país Entre as tradições populares do catolicismo no Brasil estão as peregrinações à Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Nossa Senhora Aparecida acabou por tornar-se a Padroeira do Brasil. Outras festas católicas importantes são o Círio de Nazaré, Festa do Divino e a Festa do Divino Pai Eterno, mais conhecida como Romaria de Trindade, em Goiás. No transcorrer do século XX, foi perceptível uma diminuição no interesse pelas formas tradicionais de religiosidade no país. Um reflexo disso é o aparecimento de grande número de pessoas que se intitulam católicos não-praticantes.

As principais lideranças da Igreja Católica no Brasil são o núncio apostólico Dom Lorenzo Baldisseri, o presidente da CNBB e cardeal, Dom Raymundo Damasceno Assis, os demais cardeais brasileiros: Dom Eugênio de Araújo Sales, Dom Frei Paulo Evaristo Arns (O.F.M.), Dom José Freire Falcão, Dom Serafim Fernandes de Araújo, Dom Frei Cláudio Hummes (O.F.M.), Dom Geraldo Majella Agnelo, Dom Eusébio Oscar Sheid (S.C.J.) e Dom Odilo Pedro Scherer, além do primaz do Brasil, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger (S.C.J.).


O cristianismo chegou no Brasil já no descobrimento territorial português, e lançou profundas raízes na sociedade desde o primeiro momento de interação portuguesa com os habitantes indígenas. Durante o período de colonização, ordens e congregações religiosas assumem serviços nas paróquias e dioceses, a educação nos colégios, a evangelização do indígena e inserem-se na vida do país.

Frades franciscanos apareceram nas capitanias com precocidade. As missões propriamente ditas se instalaram mais tarde: em 1549 seis jesuítas (padres da Companhia de Jesus) acompanharam o governador-geral Tomé de Sousa, chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega; ficaram famosos o padre José de Anchieta e o Padre João de Azpilcueta Navarro. Os carmelitas descalços chegaram em 1580, as missões dos beneditinos tiveram início em 1581, as dos franciscanos em 1584, as dos oratorianos em 1611, as dos mercedários em 1640, as dos capuchinhos em 1642. Durante o século XVI e o século XVII, a legislação buscou certo equilíbrio entre Governo central e Igreja, tentando administrar os conflitos entre missionários, colonos e índios.

Até meados do século XVIII, o Estado controlou a atividade eclesiástica na colônia por meio do padroado. Arcava com o sustento da Igreja e impedia a entrada no Brasil de outros cultos, em troca de reconhecimento e obediência. O Estado nomeia e remunera párocos e bispos e concede licença para construir igrejas. Confirma as condenações dos tribunais da Inquisição e escolhe as formas de punição; em contrapartida, controla o comportamento do clero, pela Mesa da Consciência e Ordens, órgão auxiliar do Conselho Ultramarino.


Estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Brasil.Em 1707, com as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, elaboradas por bispos em uma reunião em Salvador, a hierarquia da Igreja conquista mais autonomia. As constituições uniformizam o culto, a educação, a formação do clero e a atividade missionária. Não impedem, porém, o agravamento dos conflitos entre colonos e padres, em torno da escravização dos índios, que desembocam no fechamento da Companhia de Jesus pelo Marquês de Pombal em 1759. Nas décadas de 1860 e 1870, a Santa Sé, em Roma, decreta regras mais rígidas de doutrina e culto. Bispos brasileiros, como Dom Antônio de Macedo Costa, Bispo de Belém do Pará e Dom Vital de Oliveira, Bispo de Olinda, acatam as novas diretrizes e expulsam os maçons das irmandades. Isso não é aceito pelo governo, muito ligado à maçonaria, dando início à chamada Questão religiosa, culminando com o encarceramento e trabalhos forçados destes bispos em 1875.

Em 7 de janeiro de 1890, logo após a proclamação da República, é decretada a separação entre Igreja e Estado. A República acaba com o padroado, reconhece o caráter leigo do Estado e garante a liberdade religiosa. Em regime de pluralismo religioso e sem a tutela do Estado, as associações e paróquias passam a editar jornais e revistas para combater a circulação de idéias anarquistas, comunistas ou protestantes.

A partir da década de 30, o projeto desenvolvimentista e nacionalista de Getúlio Vargas influencia a Igreja no sentido de valorização da identidade cultural brasileira. Assim, a Igreja expande sua base social para além das elites, abrindo-se para as camadas médias e populares. A Constituição de 1934 prevê uma colaboração entre Igreja e Estado. São atendidas as reivindicações católicas, como o ensino religioso facultativo na escola pública e a presença do nome de Deus na Constituição. Nessa época, o instrumento de ação política da Igreja é a Liga Eleitoral Católica (LEC), que recomenda os candidatos que se comprometem a defender os interesses do catolicismo.


Multidão de fiés no Santuário Nacional durante celebrações da visita do Papa ao Brasil em maio de 2007.Contra a ascensão da esquerda, a Igreja apóia a ditadura do Estado Novo em 1937. São do período os círculos operários católicos, favorecidos pelo governo para conter a influência da esquerda.

Em 1952 é criada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que coordena a ação da Igreja no país. No final dos anos 50, a Igreja preocupa-se com questões sociais geradas pelo modelo de capitalismo no país, como a fome e o desemprego. Em 1960, a Juventude Universitária Católica (JUC), influenciada pela Revolução Cubana, declara sua opção pelo socialismo. Pressões de setores conservadores da Igreja levam os militantes da JUC a criar um movimento de esquerda, a Ação Popular (AP). Na época, a Igreja está dividida quanto às propostas de reformas de base do presidente João Goulart.

Com o Regime Militar de 1964 crescem os conflitos entre Igreja e Estado. A partir de 1968, com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), há uma ruptura total diante da violenta repressão - prisões, torturas e assassinatos de estudantes, operários e padres e perseguições aos bispos. Na época, a Igreja atua em setores populares, com as comunidades eclesiais de base. Inspiradas na Teologia da Libertação, elas vinculam o compromisso cristão e a luta por justiça social. Os abusos contra a ordem jurídica e os direitos humanos levam a Igreja a se engajar fortemente na luta pela redemocratização, ao lado de instituições da sociedade civil.

Ao longo dos anos 80 e 90, com a redemocratização da sociedade brasileira e com alguns de seus ensinamentos fortemente criticados pela Santa Sé, a Teologia da Libertação perde parte de sua influência. Nesse período cresce o vigor da Renovação Carismática Católica, surgida nos EUA. Em oposição à politização da Teologia da Libertação, o movimento busca uma renovação em práticas tradicionais do catolicismo pela ênfase numa experiência mais pessoal com Deus.

[editar] Contexto Atual
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.No transcorrer do século XX foi percebida uma diminuição no interesse em formas tradicionais de religiosidade. Um reflexo disso é a grande massa de católicos não-praticantes hoje presente no país. No censo IBGE de 2000, 40% dos que responderam ser católicos diziam ser "não-praticantes".

Na hierarquia católica brasileira estão hoje presentes três vertentes principais: o clero tradicionalista, mais conservador e defensor da ortodoxia; os remanescentes da Teologia da Libertação, que desde os anos 70 tem formado uma espécie de "esquerda" eclesiástica; e os adéptos da Renovação Carismática ou de Comunidades Carismáticas, movimentos mais recentes e vigorosos.

Algumas tradições populares do catolicismo no Brasil incluem as peregrinações à Nossa Senhora Aparecida, no lugar onde a santa fez sua aparição na cidade de Aparecida, localizada a 168 km da capital de São Paulo, e acabou por tornar-se a Padroeira do Brasil. Outros festivais importantes incluem Círio de Nazaré em Belém do Pará e a Festa do Divino Pai Eterno no estado de Goiás (Brasil central).

A Renovação Carismática tem forte presença leiga e já responde sozinha por grande parte dos católicos praticantes no país. O movimento tende a ter uma moral conservadora e assemelha-se em certos aspectos às Igrejas Pentecostais, como no uso dos dons do Espírito Santo e na adoção de posturas que poderiam ser rotuladas como fundamentalistas.

Uma das Comunidades Carismáticas mais conhecidas é a Canção Nova que é presidida pelo Padre Jonas Abib, um dos precursores da Renovação Carismática Católica no Brasil, e possui um canal de televisão mantido por doações; a sua sede fica na cidade de Cachoeira Paulista. Outro ícone da RCC no Brasil é Padre Marcelo Rossi, fenômeno de mídia e cultura de massas que surgiu no final da década de 90. Cantando e fazendo coreografias em programas de televisão e missas lotadas, ele se propõe a pregar a mensagem de Cristo conforme ensinada pela Igreja Católica.

É preciso citar também a significativa presença de outros grupos conservadores como a Opus Dei, o Caminho Neocatecumenal e o Regnum Christi dos quais participam milhares de pessoas no Brasil, suscitam um grande empenho e aprofundamento na fé dos leigos e têm apoio do clero.

Catolicismo por estado Por porcentagem de católicosPosição Estado Porcentagem de católicos Maior denominação

1 Piauí 90 Catolicismo
2 Ceará 86
3 Paraíba 84
4 Rio Grande do Norte 83
5 Maranhão 82
6 Sergipe 82
7 Santa Catarina 80
8 Alagoas 79
9 Minas Gerais 78
10 Tocantins 77
11 Paraná 76
12 Rio Grande do Sul 76
13 Pernambuco 74
14 Bahia 74
15 Pará 74
16 Amapá 74
17 Mato Grosso 73
18 Amazonas 71
19 São Paulo 70
20 Mato Grosso do Sul 69
21 Acre 68
22 Goiás 68
23 Roraima 66
24 Distrito Federal 66
25 Espírito Santo 63
26 Rondônia 57
27 Rio de Janeiro 56

Papel-moeda do Brasil.


Moeda corrente (numismática): real (Brazil Real)
R$ 1 = 100 centavos
Código internacional ISO 4217: BR

Após sucessivas trocas monetárias, o Brasil adotou o real em 1994 que, aliado à derrubada da inflação, constituiu uma moeda estável para o país. Foi implantado no mandato do Presidente Itamar Franco, que assumiu com o afastamento de Fernando Collor de Mello. Na época, o Ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso; o qual se tornou Presidente da Nação por dois mandatos consecutivos.

Abaixo, histórico dos padrões monetários brasileiros e as reformas monetárias (alguns dados estão incompletos; caso você quiser contribuir, por favor, mande um e-mail):

Data Vigor Decreto Moeda Instituída Sigla Reforma / Conversão Observação 1ª Cédula
1500... real plural: réis
07/10/1833? mil-réis Rs$ 1 conto de réis = 1 milhão de réis
01/11/1942* cruzeiro Cr$ Rs$ 1.000 réis = Cr$ 1 corte de 3 zeros Marquês Tamandaré
Cr$ 1,00
13/02/1967* cruzeiro novo NCr$ Cr$ 1.000 = NCr$ 1,00 corte de 3 zeros
plural: cruzeiros novos Getúlio Vargas
NCr$ 0,01
15/05/1970* cruzeiro Cr$ NCz$ ? = Cr$ 1,00 plural: cruzeiros Efígie da República
Reverso: Edifício
Cr$ 1,00
28/02/1986 Lei nº 2284 cruzado Cz$ Cr$ 1.000,00 = Cz$ 1,00 corte de 3 zeros
plural: cruzados Rui Barbosa
Cz$ 10,00
01/02/1989 Lei nº 7730, de 31/01/1989 cruzado novo NCz$ Cz$ 1.000,00 = NCz$ 1,00 corte de 3 zeros
plural: cruzados novos Machado de Assis
NCz$ 1,00
15/03/1990 Medida Provisória nº 168
Convertida em Lei nº 8024, de 12/04/1990 cruzeiro Cr$ NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00 plural: cruzeiros Carlos Drummond
Cr$ 50,00
01/08/1993 Medida Provisória nº 336, de 28/07/1993
Convertida em Lei nº 8697, de 27/08/1993 cruzeiro real CR$ Cr$ 1.000 = CR$ 1 corte de 3 zeros
plural: cruzeiros reais Câmara Cascudo
CR$ 50,00
27/05/1994 Lei nº 8.880 real R$ CR$ 2.750,00 = R$ 1 plural: reais – usado até hoje Efígie da República
Reverso: beija-flor
R$ 1,00

Observações:

– Cruzeiro tem origem na palavra “crux”, da constelação Cruzeiro do Sul. A palavra “cruzado” origina do verbo português “cruzar”, como “dispor ou mostrar em cruz”. As primeiras moedas portuguesas de ouro e prata tinham uma cruz no reverso...

1942* – Houve a emissão da primeira cédula com a assinatura do presidente do Banco Central do Brasil (emitida pelo Tesouro Nacional – Cr$ 5.000,00 – Tiradentes). Também a emissão da primeira cédula com o nome do Banco Central do Brasil (emitida pelo Tesouro Nacional – Cr$ 10.000,00 – Santos Dumont). No período de 02/12/1964 a 12/02/1967, a fração do cruzeiro denominada centavo foi extinta.

1967* – Não houve lançamento de cédulas do novo padrão... Foram utilizadas as cédulas do padrão anterior, apondo carimbo com o valor equivalente ao cruzeiro novo.

1970* – No período de 16/08/1984 a 27/02/1986, a fração do cruzeiro denominada centavo foi novamente extinta.

– O “real” já era uma moeda utilizada como unidade monetária antes do “cruzeiro”, desde o Descobrimento até 1942 (quando deixou de existir). Todos o conheciam por “réis”. Com o antigo “real”, também desapareceu a forma “réis”, que sobrevivia na unidade mil-réis.

O plural da atual palavra “real” é “reais”, com a supressão da letra “a”, temos a monossílaba “reis”, a qual é o plural do substantivo masculino “rei” e também um ditongo, pois forma um grupo de dois fonemas – vogais proferidos em uma só sílaba “reis”. Na utilização em questão, a palavra “reis” leva o acento agudo na letra “e” porque é um ditongo aberto, portanto temos o antigo e conhecido “réis”. Texto explicativo de Sérgio Sakall.

Nota: O real também foi o nome de antigos sistemas monetários de outros países americanos, como Argentina, Costa Rica, El Salvador, Equador, México, Peru, República Dominicana, Uruguai...

Como exemplo de Reformas Monetárias tomaremos a cédula que mostra no anverso a efígie do Dr. Oswaldo Cruz e no reverso a fachada do Instituto Oswaldo Cruz. A primeira cédula é do padrão CRUZEIRO, a segunda cédula é do padrão CRUZEIRO COM CARIMBO DE CRUZADO e a terceira é do padrão CRUZADO.



Acima, cédula de 1984-1986 com valor facial de 50.000 mil cruzeiros (ZN-15). Abaixo (lado esquerdo da tela) cédula de 1986 com valor facial de 50 cruzados – 50.000 cruzeiros carimbada 50 cruzados (ZN-18) e por último (lado direito da tela), cédula de 1986-1988 com valor facial de Cz$ 50,00 cinquenta cruzados (ZZ-02 / C-182). Chancelas: Dilson Funaro e Fernão C. B. Bracher. A partir de 1989, essas notas passaram a valer cinquenta centavos de cruzados novos.



Curiosidade: Já em 1936 o sanitarista Oswaldo Cruz teve a sua efígie cunhada em uma moeda da série “Brasileiros Ilustres I” (Padrão Réis 4° Tipo, 1936-1938). Na verdade são 3 moedas de cupro-níquel, com valor facial de 400 réis (diâmetro: 28 mm, espessura: 2,2 mm, peso: 9,9 g) quase iguais, mas com anos diferentes: 1936 (mostrada abaixo), 1937 e 1938, respectivamente numeração referência de catálogo: 149, 150 e 151 (CN-410, CN-411 e CN-412).




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História do papel-moeda no Brasil
As moedas que circulavam no Brasil no período da dominação espanhola (1580-1640) eram os “reales hispano-americanos”...

As “ordens de pagamento” emitidas pelos holandeses em Pernambuco foram os primeiros papéis a circular como moeda no Brasil. Mas como isso só ocorreu entre as tropas de ocupação, eles não tem qualquer relação com as cédulas emitidas no país.

Os “bilhetes de extração de diamantes” e os de “permuta do ouro” foram os primeiros papéis a circular oficialmente como moeda, de 1771 até as primeiras décadas do século XIX.

Após a Proclamação da Independência, em 18/09/1822, a falsificação de moedas de cobre chegou a ser um caso de calamidade pública, forçando a emissão de bilhetes para o troco do cobre, em 1833.

As emissões de bilhetes de banco e papel-moeda oficial foram alternadas, chegando a existir, por volta de 1900, 69 tipos de notas de banco e 33 do Tesouro Nacional, em circulação.

Do lado esquerdo da tela, frente e verso da primeira cédula brasileira, de 100 réis, da época do Império. Do lado direito da tela, cédula com valor facial de 500 réis, emitida em 1874, que mostra a efígie de D. Pedro II e o Brasão do Império.



A última emissão bancária feita pelo Banco do Brasil foi em 1923, ainda no padrão “mil-réis”. A partir dessa data, somente o Tesouro Nacional tinha o poder liberatório de emissão de papel-moeda.

Cédula emitida pelo Banco do Brasil em 1923, com valor facial de 10.000 réis que mostra a efígie do Presidente Rodrigues Alves.




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Abaixo, anverso de duas cédulas, de emissões distintas, que mostram a efígie de D. Pedro I. Veja cédula rara que mostra no reverso o Monumento da Independência!

Período de circulação: 1949 a 1968
Órgão emissor: Tesouro Nacional
Fabricante: Thomas de La Rue & Company Ltd
Período de circulação: 1970 a 1984
Órgão emissor: Banco Central do Brasil
Fabricante: Casa da Moeda do Brasil (RJ)

O Banco Central do Brasil foi fundado em 01/01/1965, tornando-se reponsável pelo meio circulante nacional desde então. Cédula emitida pelo Banco Central do Brasil em 1994, com valor facial de 5.000 cruzeiros reais que mostra alegoria ao gaúcho (à direita).




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Atualmente, a Casa da Moeda do Brasil produz as cédulas e moedas utilizadas no Brasil e de alguns países do exterior, também uma série de outros produtos... Nós temos sete cédulas em uso, com dimensões iguais (140 × 65 mm), todas mostram no anverso a Efígie Simbólica da República (interpretada sob a forma de escultura), mas no reverso as cédulas estampam 7 lindos animais da fauna brasileira:

R$ 1,00 (um real) verde ► Beija-flor (Amazilia lactea)
R$ 2,00 (dois reais) azul ► Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata)
R$ 5,00 (cinco reais) violeta ► Garça-branca (Ardea alba)?
R$ 10,00 (dez reais) vermelha ► Arara-piranga (Ara chloroptera)
R$ 20,00 (vinte reais) amarela e laranja ► Mico-leão-dourado (Leonthopitecus rosalia)
R$ 50,00 (cinquenta reais) marrom ► Onça-pintada (Panthera onca)
R$ 100,00 (cem reais) azul ► Garoupa (Epinephelus marginatus)

Ficha Técnica e Frente e Verso da moeda com valor facial de 1 real (R$ 1,00), emitida em 23/09/2005 para comemorar os 40 anos do Banco Central do Brasil (1965-2005). No anverso, a imagem mostra uma perspectiva do Edifício-Sede em Brasília e a legenda “BC”, além das inscrições “BANCO CENTRAL DO BRASIL” e “1965 40 ANOS 2005”.

Valor facial: 1 real
Tiragem: 40.000.000
Peso: 7,00 gramas
Matéria-prima: Aço inoxidável / aço revestido de bronze
Diâmetro: 27 milímetros
Borda: Serrilha intermitente
Método de cunhagem: Circulação comum
Concepção e projeto: Banco Central do Brasil e Casa da Moeda do Brasil
Criação e modelagem: Glória A. Ferreira Dias e Katia M. Abreu Dias
Cunhagem: Casa da Moeda do Brasil


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FILATELIA – 1º SELO POSTAL “CRUZEIRO”

O primeiro selo postal com padrão monetário “cruzeiro” foi emitido em 10/11/1942 (RHM: A-45). Ele marca o 5º Aniversário do Estado Novo e foi remarcado com a sobrecarga preta “AÉREO 10 Nov. 937-942 Cr$ 5,40”, sobre um selo anterior (RHM: C-167), cancelando o antigo valor facial de 5.400 réis.

Já o selo “Centenário de Portugal (1140-1640)”, foi emitido em 01/12/1940 (RHM: C-167), para comemorar o 8º Centenário da Independência e 3º da Restauração de Portugal, com a filigrana (CORREIO * BRASIL “P”), ele mostra o General Carmona e Getúlio Vargas; apresentado (abaixo, lado direito) na variedade: quadra sem picotagem.



Você sabia que existem cédulas e moedas que estampam muitos selos postais?

Abaixo, alguns selos postais brasileiros nesta temática... “Coins on Stamps”...

Bloco e selo postal “Milésima Agência do Banco do Brasil” (Barra do Bugres – MT), emitidos em 05/11/1976 com valor facial de Cr$ 0,80 centavos de cruzeiros, o bloco mostra uma cédula antiga de 30 mil réis... Yvert: 37. Scott: 1484. Michel: Bl-38. SG:1637. RHM: B-40, C-963.



Série de 3 valores “Moedas do Brasil Colonial”, emitida em 31/08/1977 com valor facial de R$ 1,30 cada selo, eles mostram: vintém (20 reis copper vintem), pataca (640 reis pataca) e dobrão (2.000 reis doubloon). Yvert: 1276/1278. Scott: 1523/1525. Michel: 1615/1617. RHM: C-1002/C-1004.



Selo “Zona Franca de Manaus – SUFRAMA”, emitido em 15/08/1982 com valor facial de 75,00 cruzeiros, o selo mostra 3 mãos... postage stamp promoting the Port of Manaus Free Trade Zone depicts a coin... Yvert: 1553. Scott: 1811. Michel: 1911. RHM: C-1271.

Série de 2 valores “Numismática – Museu de Valores do Banco Central do Brasil” (10th anniversary of the Central Bank of Brazil Currency Museum), emitida em 31/08/1982 com valor facial de 25,00 cruzeiros cada, os selos mostram: moeda de ouro 12 florins (1645) e peça coroação (1822 6.40-reis coronation of Emperor Pedro coin)... Yvert: 1557/1558. Scott: 1816/1817. Michel: 1917/1918. RHM: C-1277/C-1278.



Selo “Sesquicentenário do Banco Econômico S.A. – Salvador” (150th Anniversary of the Economic Bank), emitido em 13/07/1984 com valor facial de Cr$ 65,00 cruzeiros o selo mostra a 1ª sede e uma moeda prateada de 1.200?... Yvert: 1677. Scott: 1943. Michel: 2057. RHM: C-1406.

Série em quadra “20 Anos da ECT – Serviços Especiais”, emitida em 20/03/1989 com valor facial de NCz$ 0,25 cada selo, cujas imagens mostram: Post-Grama, EMS, Sedex e Caderneta de Poupança Postal (selo abaixo, no centro da tela). Yvert: 1906/1909 (1909). Scott: 2163 (2163D). Michel: 2289/2292 (2292). SG: 2348. RHM: C1621/C-1624 (C-1624).

Selo “25 Anos do Banco Central do Brasil” (25th Anniversary of the Central Bank), emitido em 30/03/1990 com valor facial de 20 cruzeiros, o selo mostra o Edifício Sede e uma moeda de ouro... Yvert: 1958. Scott: 2241. Michel: 2350. RHM: C-1675.



26/07/1994 – Selo 300 Anos da Casa da Moeda do Brasil, com valor facial de R$ 0,12 centavos. RHM: C-1907.

Abaixo, o FDC e o selo ampliado emitido em 01/07/1995 em comemoração ao “1º Aniversário do Plano Real”. Com valor facial de R$ 0,12 centavos de real o selo mostra a efígie... e o FDC traz a frase “Real: isso é apenas o começo”, além de mostrar através do carimbo de primeiro dia a moeda de 1 real... Scott: 2541. Michel: 2650. RHM: C-1949.




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Outros selos postais (imagens não disponíveis):
05/07/1953 – Selo Centenário do Banco do Brasil (1853-1953), com valor facial de Cr$ 1,20 cruzeiros, o selo mostra a efígie do Visconde de Itaboraí. RHM: C-300.
14/04/1969 – Selo Inauguração da Fábrica de Papel-moeda. Valor facial: $ 0,05 centavos. Yvert: 891. RHM: C-633.
01/11/1984 – Casa da Moeda do Brasil – Santa Cruz (RJ). Yvert: 1696. RHM: C-1422.

Para ir mais longe:

A Casa do Moeda do Brasil (CMB) dispõe de três unidades industriais:

Departamento de Cédulas (DECED), responsável pela impressão das cédulas do meio circulante nacional
Departamento de Moedas e Medalhas (DEMOM), que atua na cunhagem de moedas e também de medalhas comemorativas
Departamento de Gráfica Geral (DEGER), a quem cabe a produção dos selos fiscais e postais, e também de passaportes, cartões indutivos para telefonia, bilhetes magnetizados para transporte (metrô e ônibus), carteiras de trabalho e outros produtos.
Casa da Moeda do Brasil – www.casadamoeda.com.br
Rua René Bittencourt, 371 – Dist. Ind. Sta. Cruz
CEP: 23565-200 – Rio de Janeiro (RJ)

Banco Central do Brasil – www.bcb.gov.br

Banco Central – www.bc.gov.br/htms/bcjovem/moedasmundo.htm
Moedas do Mundo – conversor de moedas do Banco Central. É só passar o mouse em cima do país que o sistema mostra numa caixa lateral a moeda em circulação e a cotação (sempre a oficial do dia anterior) em reais.

Banco do Brasil Moedas – www.bb.com.br/appbb/portal/hs/moeda/index.jsp

Tesouro Nacional – www.stn.fazenda.gov.br

Itaú Numismática – Museu Herculano Pires – www.itaunumismatica.com.br
Avenida Paulista, 149 – CEP: 01311-000 – São Paulo (SP)

Fontes: DPL (imagens de Cruz), Gaudêncio (reformas monetárias), Régis (imagens história).